Shakira tem dezenas de hits muito aguardados pelo público para a setlist do show na Praia de Copacabana, que acontece neste sábado (02). No entanto, poucos causam a euforia de “Hips don’t lie”, a grande assinatura da carreira da artista. A marca da canção é tão forte que é quase inevitável falar no nome da colombiana sem repeti-lo duas vezes, tal qual Wyclef Jean: “Shakira, Shakira!”.
“Hips don’t lie” tem uma história bastante curiosa. A música foi lançada no álbum “Oral Fixation, Vol. 2”, de 2005. O disco, no entanto, já estava no mercado quando a canção chegou até Shakira.
A cantora relata que teve um sonho com Wyclef, integrante do icônico grupo de hip-hop The Fugees, e foi surpreendida com a notícia de que ele havia telefonado para falar de uma parceria.
"O mais engraçado é que eu tive um sonho, o sonho mais aleatório com o Wyclef. Não foi um sonho sexual! Foi apenas um sonho. E, então, eu acordei e meu empresário me ligou e disse: 'O Wyclef quer trabalhar com você'”, contou Shakira, no talk show de Jimmy Fallon.
A ideia inicial era que Wyclef participasse de um remix em inglês de “La Tortura” para impulsionar as vendas do álbum, que estava bem aquém do disco em espanhol, “Fijación Oral, Vol. 1”. Mas o artista preferiu sugerir a música “Dance Like This”, que havia lançado em 2004 em parceria com Claudette Ortiz para a trilha sonora do filme “Dirty Dancing 2 - Noites de Havana”.
Os dois refizeram a música com um arranjo cheio de elementos de ritmos latinos, como reggaeton, cumbia e salsa, e novos versos. O resultado empolgou tanto Shakira que ela tinha certeza que estava diante de um hit mundial.
Shakira, então, procurou o presidente da gravadora com uma proposta arriscada, que, se desse errado, acarretaria em um grande prejuízo financeiro: recolher os discos de todas as prateleiras dos Estados Unidos e lançar uma nova versão com “Hips don’t lie” na tracklist.
"Disse: 'Você precisa recolher os álbuns das lojas', e ele respondeu: 'De jeito nenhum, esses álbuns já estão nas prateleiras'. Respondi: 'Você precisa acreditar em mim. Você tem que confiar em mim. Se você fizer isso, teremos um hit'. E ele disse: 'Ok, vou te ouvir dessa vez', e ele realmente fez isso. Tivemos que refazer as capas dos álbuns e isso mudou a minha história."
O lançamento de “Hips don’t lie” ainda contou com uma estratégia arriscada. Uma breve contextualização: nesta época, nos Estados Unidos, os singles eram lançados em CDs físicos, que continham apenas aquela música e alguns remixes. Com 3 anos de mercado, o iTunes, que permita download digitais pagos de canções, já começava a despontar como fenômeno.
Durante os primeiros dias, a faixa ficou disponível apenas como ringtone para usuários de celular conectados a Verizon, rede de telefonia do país. O download da música junto com o clipe custava 2 dólares.
Ou seja, nos primeiros dias de lançamentos, que costumam ser essenciais para impulsionar a música, quem não era cliente desta operadora teria que esperar a faixa chegar em outro serviço ou ser lançada como single físico nas lojas - a outra opção era recorrer à pirataria.
Apesar de tantas reviravoltas, deu tudo certo! “Hips don’t lie” é uma daquelas músicas tão icônicas que nem precisam de números para comprovar seu sucesso. Mas aqui vão alguns deles: a música chegou ao topo das paradas nos Estados Unidos e no Reino Unido, os charts mais importantes do mundo. Atualmente, são 2,4 bilhões de reproduções no Spotify e mais 1,7 bilhão no YouTube. E neste sábado (02), a expectativa é de mais de 2 milhões de pessoas em um coro uníssono: “Shakira, Shakira”!
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